

... colocou o teatro na dança ou, se preferirem, dançou de mão dada com o teatro. Pegou no vocabulário clássico da dança e moldou-o ao quotidiano. O ‘normal’ para ela não era suficiente. Por isso procurou ir além dele. Por isso desconstruiu o formalismo, a forma, o formal. E inventou formas próprias que marcaram a diferença, mas também a origem para muitos seguidores. Criou, em muitos, a ilusão de que o cidadão comum podia subir ao palco e ser bailarino, desmistificava-a quando os seus intérpretes passavam por uma longa, minuciosa e criteriosa audição de várias dias, em que os ia progressivamente eliminando. Levou palavras gesticuladas do dia a dia, às frases coreográficas que marcaram algumas das mais enigmáticas obras que criou como Café Müller, Viktor ou 1980. Levou a vida ao palco onde dançou. Oferecia pedaços de vida aos que, na plateia, tiveram oportunidade de sentir a força da existência no palco ou na tela. Hoje deixou para trás a vida. Não chegou a concluir um dos seus próximos projectos: Pina, o primeiro filme sobre dança, em três dimensões, numa parceria com Wim Wenders.
7 comentários:
Quem falará dela???
Soube a triste notícia esta tarde!
À medida que o tempo avança, vamos perdendo figuras de referência. Confio que esta personalidade tenha deixado o seu legado bem seguro, por forma a ser dada continuidade ao seu trabalho.
Só assim fará sentido...
curvo-me perante a arte que ela transmitia...e perante as tuas palavras
para te dizer que já há imagens nos "Desalinhos" do lançamento dos meus "In-Finitos Sentires"
beijo e obrigada pelo apoio
uma das suas últimas entrevistas.
E pensar que morreu de um cancro que se detectou há 5 dias!
Os génios que nunca nos deixarão. As imagens criadas pela sua arte permanecerão na nossa memória para sempre.
Uma grande senhora...
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