quarta-feira, 1 de julho de 2009

CHEGOU...

Foto de Ursula I Abresch


Chegou com o sorriso de quem regressa,
nada trazia nas mãos,
não consegui ver-lhe o olhar.
Chegou sem se fazer esperar
pois nunca se anuncia,
chega sem nada oferecer.
Decidida a não se dar
traz consigo o sol
embalado numa onda de mar.
Chega como se por aqui já andasse,
como se nunca tivesse partido,
como se sempre em mim ficasse.
Quando chega abre no meu peito um filamento
esventra-me a muralha da tristeza,
aparta as nuvens da saudade
e, sem que saiba, desabotoa-me o peito,
rasga-me a pele, afasta a carne,
e planta a Primavera num chão de sabores,
esplanada de mil sons que não canta
mas oiço, sinto, invento e
vivo!

5 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

PAS[Ç]SOS

mais uma vez estamos perante um poema de rara beleza, onde as palavras que o compoem nos levam a querer chegar um dia a alguem ou a algum lugar.

um beij

Gi disse...

Estás a ver?
Chegou Julho e que lindo que é.

AnaMar (pseudónimo) disse...

Que o Verão que se aproxima te cure as feridas deixadas pela Primavera plantada.

Novos sabores, sons que te libertem a alma. E que não deixes de sentir, pois só assim se vive.

Bjs (Fiz outro intervalo no estudo e tive que te visitar!)

Tia_Cunhada disse...

Este poema é um espelho...

sonja valentina disse...

às vezes tarda, mas acaba sempre por chegar. que se instale (de vez)e perdure!!