
Foto de Ursula I Abresch
Escuto a memória das águas
dispersa pela velocidade da corrente
resgatada à quietude da ria;
Soltam-se abraços das margens
limbos de ulmeiros estendidos
nas anotações de palavras inacabadas;
Cânticos soluçados e esquecidos,
libertos no rompimento do dique
seguros ao tanger do violino suspenso;
Molha-me a secura da pele,
o escorrer deste sabor indefinido
que não provo mas ouço;
são cataratas volúpias do tempo
acordando lembranças perdidas,
guardadas nos ouvidos do segredo;
Toca-me a frescura da chuva
gotas evaporadas da ribeira
descendo na procura de prazer;
carícias de mãos por conhecer
incapazes de segurar a explicação
do sentir destes dedos embebidos
na memória das águas
que preciso beber.
4 comentários:
memória de tempos por viver. banha-te nessas águas que anunciam o renascer.
beijo
um poema limpo e puro, de onde se podem tirar várias interpretaçoes.
destaco esta frase
"são cataratas volúpias do tempo"
muito boa!
beij
um poema de água fresca que gostei de beber...
Domingo de brisas mansas****
... carícias de mãos por conhecer...
Lindo...
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