sábado, 11 de julho de 2009

MEMÓRIA DAS ÁGUAS

Foto de Ursula I Abresch


Escuto a memória das águas
dispersa pela velocidade da corrente
resgatada à quietude da ria;
Soltam-se abraços das margens
limbos de ulmeiros estendidos
nas anotações de palavras inacabadas;
Cânticos soluçados e esquecidos,
libertos no rompimento do dique
seguros ao tanger do violino suspenso;
Molha-me a secura da pele,
o escorrer deste sabor indefinido
que não provo mas ouço;
são cataratas volúpias do tempo
acordando lembranças perdidas,
guardadas nos ouvidos do segredo;
Toca-me a frescura da chuva
gotas evaporadas da ribeira
descendo na procura de prazer;
carícias de mãos por conhecer
incapazes de segurar a explicação
do sentir destes dedos embebidos
na memória das águas
que preciso beber.

4 comentários:

mariab disse...

memória de tempos por viver. banha-te nessas águas que anunciam o renascer.
beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema limpo e puro, de onde se podem tirar várias interpretaçoes.

destaco esta frase
"são cataratas volúpias do tempo"

muito boa!

beij

Parapeito disse...

um poema de água fresca que gostei de beber...
Domingo de brisas mansas****

Tia_Cunhada disse...

... carícias de mãos por conhecer...
Lindo...