
Nas cidades com rio, as ‘Baixas’ moram obviamente por perto. Centro de toda a vida citadina, foram envelhecendo conforme a metrópole se espraia para outros territórios. Enquanto tal acontece, os edifícios degradam-se, os serviços que permanecem empobrecem e a população, que não se move, envelhece. Nos tempos mais recentes, alguns municípios portugueses têm procurado o propósito de trazer até às ‘Baixas’ uma população jovem. Creio, contudo, que as baixas continuam a ser uma área onde predominantemente acorrem os turistas, onde os munícipes passeiam para ver montras, e onde se demoram gentes cada vez mais pobres e que sentem a vida a roubar-lhes autonomia.
Foi com este espírito que voltei a entrar no Bulhão. A questionar-me como pode um espaço tão característico duma cidade, manter-se vivo se… precisa de modernizar-se e acompanhar as novas ofertas que se inventam. Como conseguirá concorrer com outros espaços criados para satisfazer o ‘hoje’? Como pode atrair as novas gerações da cidade? Os turistas, esses sim, continuam a vir visitá-lo. Mas não é das visitas que ele vive. Talvez por isso alguns mercados históricos europeus, tenham sido transformados em espaços de mostras.
“Quer alguma coisinha fresca, freguês?”
A esta pergunta lançada pelos vendedores do Bulhão, apeteceu-me responder:
- Sim quero! Uma ideia ‘fresca’ para preservar espaços como o do Bulhão, enquanto centro privilegiado do mercado tradicional dos municípios.
6 comentários:
Infelizmente, ideias 'frescas' não abundam neste país, principalmente no que concerne à preservação! Fiquei a saber há pouco tempo que já não existe o mercado das flores! Realizava-se no Mercado da Ribeira em Lisboa mas...
Um dos lugares mais bonitos que costumava visitar. Era alegre, cheio de cor e aroma. Nele, circulavam turistas e não só. Mas acima de tudo, primava por ter um som tradicional, onde os termos freguês/freguesa soavam como cânticos.
Alguém teve a ideia 'quente' de desfazer o que de tão belo e característico existiu até há poucos anos.
Há coisas que não sobrevivem ao progresso e à ânsia de dinheiro.
Se servissem umas amêijoas à Bulhão Pato eu ia já.;)
O Bulhão... uma festa de cores no meio do cinza da cidade...
o Bulhão um ex-libris da Invicta.
beij
QUE BELO POEMA! até fiquei emocionada, confesso!
o meu Bolhão, aqui, no seu blog!
mas que bela surpresa :)
é lindo, não é ;) ?
vai ter ... há um novo projecto de vivências, há quem fale com um blog do local:
http://manifestobolhao.blogspot.com/
e quem discorde, que é óptimo , com um site :
http://mercadodobolhao.com/
o importante é fazer algo
;)
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