domingo, 28 de junho de 2009

DOIS DIAS PARA ESQUECER


O que pode levar um homem, criativo publicitário de sucesso, casado, com dois filhos maravilhosos e uma vida desafogada, ao celebrar 42 anos colocar em questão tudo o que construiu, tudo o que possui? Renunciando à formalidade que nos obriga a cumprir regras de boa educação e calar, quase imperceptivelmente, muito do que, tantas vezes nos apetece dizer, começa a assumir a sinceridade, a frontalidade, a verdade, obviamente magoando, opondo-se, criando uma onda de antipatia à sua volta. O que pode levar um homem a desfazer a sua sociedade empresarial? A discutir com a mulher? A pôr em causa a perfeição dos desenhos que os seus filhos lhe oferecem como prendas de aniversário? A desafiar todas as regras que sempre terá cumprido? A confrontar, um a um, todos os amigos que se reúnem para uma festa surpresa? A despedir-se da filha antes de partir, anunciando-lhe que irá para longe e não voltará? A ferir-se com o reconhecimento na manhã seguinte, antes da partida definitiva, que a vida continua sem ele, que os seus filhos mantêm viva a alegria de brincar, mesmo na sua ausência? A partir para destino longínquo arriscando na condução, na ofensa àquelas com que se cruza? A apoiar um homem a quem dá boleia? A ir ter com o pai que o abandonara e à mãe, quando tinha treze anos? A confrontá-lo com a sua ausência enquanto avô? De onde vem toda esta sede de viver como se tivesse de ser transparente… como a água mais límpida do rio onde vai pescar com o pai?

São questões a que não posso responder sob pena de revelar todo o interesse que considero revestir Dois dias para esquecer. Recomendo vivamente este filme de Jean Becker, Deux jours à tuer no original, o qual parece estar em exibição unicamente em Lisboa… para quem não o conseguir ver e tiver curiosidade de saber mais, estou a preparar uma visão mais pormenorizada e reveladora sobre o filme. Terei todo o prazer em facultá-la.

4 comentários:

Gi disse...

Por acaso, ontem e hoje, são dois dias para esquecer em termos meteorológicos.

Fora de brincadeira: a forma como fazes a "sinaopse" deste filme, abre-me o apetite para o seu visionamento, embora não me identifique com o cinema falado em francês.

Marta disse...

Ok! parece-me uma excelente permuta!

troca-se sugestão de livro, por sugestão de filme OU

"o solista" por "dois dias para esquecer".

negócio fechado :)

© Piedade Araújo Sol disse...

achei interessante o poste.

vou ficar atenta ao filme.

beij

Patti disse...

Curiosidade em estado de alerta!