
Foto de Alexander Kharlamov
Há um grito de silêncio
quando o gelo se quebra
e o crepúsculo rompe a madrugada
quando o prazer se exalta
e a Primavera desflora a virgindade
Há um grito de silêncio
no acorde que se não ouve
na repressão amordaçada
na mágoa que não se solta
na verdade por desprender
Há um grito de silêncio
quando o sono não acorda
e a noite se eterniza
quando o sonho se acomoda
na ausência dum corpo
Há um grito de silêncio
nas palavras por entender
nos beijos recusados
no abraço desapertado
no desejo que não sentiste
9 comentários:
Quando dos silêncios de cumplicidades feitos se passa para o simples vazio de sons, a alma pede-nos um poema como este.
Silenciosamente lido mas tormentosamente sentido.
Há silêncios por demais eloquentes, como este que aqui grita.
Obrigado pela visita!!
O grito do silêncio é muitas vezes ensurdecedor...
Abraço
o post de hoje é uma desculpa tão boa como o de outro dia qualquer. Continua a valer a pena vir aqui. Excelente retrato, poema inspirado. Parabéns pelo bom gosto continuado.
O silêncio, esse grande encontro de almas.
o grito ... é só um fizinho vermelho .
gritos silenciosos, sentidos e incontidos... com alma e coração.
...Entendi muito bem este teu grito...
Um abraço*
gosto de tudo o que escreve.
mas, gostei especialmente deste poema.
li-o normalmente, e depois li-o de baixo para cima.
fabuloso!
um beij
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