terça-feira, 5 de maio de 2009

DESPEDIDAS?

Foto de Maria E. Salvador

- 48…

- Bom-dia!

- Senha nº 48?...

- Somos nós!!!

- !?!?!?... Bom-dia. Como vos posso ser útil?

- Nós é que gostaríamos de ser úteis.

- Deve haver algum equívoco… Nós prestamos assistência a pessoas! Conduzimos processos relativos a subsídio de desemprego… encaminhamos para Centros de Formação Profissional… mas… a beneficiários da Segurança Social…

- Nós só pretendemos ter utilidade…

- Lamento… mas não vejo como vos auxiliar… a vocês…

- Tudo quanto queremos é estar ocupadas… ter a quem nos dirigirmos… não foi muito claro para nós, mas… teremos sido dispensadas… não temos, sequer e como cremos ser aqui requerido, qualquer documento formalizando a nossa dispensa… mas… a verdade é que nos foi dado a perceber que não seríamos mais desejadas… teríamos perdido o sentido…

- Pois… mas… não creio que seja este o local indicado para vos prestar apoio…

- Não pretendemos requerer qualquer subsídio… nem estamos seguras de precisar de alguma formação suplementar… só gostávamos de saber quais as possibilidades de voltarmos a ser necessárias… de voltarmos a ser lidas…

- Vão desculpar-me, mas repito não poder fazer nada por vós… e terei casos de pessoas, seres humanos, para atender…

- Pois… onde havemos de ir?
- Já sei! bsxbsbxbsbxbsxbsbxbsbx...
- Claro! Como não nos havíamos lembrado antes?

2 comentários:

VERA DE VILHENA disse...

caro PAS(Ç)S, sei os passos que dei para vir dar aqui, mas desconheço os seus. Como é que deu com o meu blog? Como já começo a tomar gosto aos seus comentários, lá tive de vir espreitar o seu blog e está de parabéns! Identifico-me muito com o conteúdo: Cavaleiro Andante, textos, versos, fotos, tudo muito bom e com óptimo gosto. Mas tem de identificar-se, assim não vale! Com amizade, Vera de Vilhena

Alexandra disse...

Em todo o contexto a frase (...)' e terei casos de pessoas, seres humanos, para atender…' reflecte bem a frieza das relações interpessoais.

A 'utilidade' de alguém, deixou de ser tratada de forma emocional e passou a ser encarada de forma mecanicista, com todos os reducionismos que tal implica.O seu texto traduz bem essa infeliz realidade.