quinta-feira, 6 de agosto de 2009

DRUMMING NO FESTIVAL DOS OCEANOS

Foto do meu Nokia

À largura de todo o exterior do topo norte do Pavilhão de Portugal, estendiam-se seis palcos, cada um com uma dezena variada de instrumentos de percussão. Os seis músicos, liderados por um dos mais conceituados percussionistas internacionais Miguel Bernat, assumiam-se proprietários de cada um dos espaços conforme os compositores interpretados, trocando de ‘propriedade’ antes de cada obra.

O concerto abriu com um dos movimentos de Plêiades de Iannis Xenakis, compositor romeno, que estudou na Grécia e um dos mais influentes compositores contemporâneos. Seguiu-se-lhe Marés de Moçambique de António Chagas Rosa, inspirado em trabalhos de Luís Noronha da Costa cuja pintura prima pela tentativa de desfocagem do objecto. A terceira obra, intitulada Rosa Noir de l’Étoile, é de autoria de Gérard Grisey, compositor francês que nela retrata a descoberta e o pulsar das estrelas. Para concluir o concerto, um regresso a Xenakis, com outro movimento de Plêiades.

Um programa complexo que terá tido bastante dificuldade em agarrar um público disperso por uma área demasiado abrangente e, cuja maioria, expectava algo mais ritmado. Nas oito colunas arquitectónicas, bem como no centro delas, foram projectados, ao longo de todo o concerto, uma série de imagens e de efeitos luminotécnicos que visavam concentrar o público na área de actuação. Receio que não tenha sido conseguido. Quem se encontrava no centro do espaço reservado ao público pôde experimentar pormenores curiosos do desenho de som. Seis colunas de monitorização colocavam-se junto dos palcos. Efeitos sinuosos faziam-nos perder a noção sobre a origem de cada som, pois ao ser amplificado do lado direito poderia bem ser o do palco do lado esquerdo. Um efeito realmente ilusório, mas porventura demasiado enganoso.

Como me dizia Miguel Bernat no final do concerto, é necessário trazer composições novas ao público. Concordo! Limitarmo-nos ao que sabermos ir ser sucesso, pode vender bilhetes, mas não provoca a evolução do público. Contudo, e quanto a mim, lamentei que a excelência daqueles exímios intérpretes quase tenha passado despercebida. As pessoas desistiram, viraram costas… enquanto a lua, plena no seu esplendor, subia lentamente no céu sobre o rio Tejo, e num prolongado namoro com o Oceanário.

3 comentários:

susana disse...

Vim só dizer que vou de férias, com dois posts teus por ler. Voltarei.

Marta disse...

descobrir o pulsar das estrelas é uma descoberta imperativa :)

abraço

Alexandra disse...

Fiquei, por um lado, triste por ter perdido um espectáculo que, pelo que li, me pareceu extraordinário. Por exemplo: 'Marés de Moçambique de António Chagas Rosa, inspirado em trabalhos de Luís Noronha da Costa cuja pintura prima pela tentativa de desfocagem do objecto.' E como é bela a
pintura de Luis Noronha da Costa!!! Algo inspirado nela só pode ser sublime!

E, pelo que escreveu, nuitos outros exemplos se poderiam retirar da narrativa.

Por outro, custa-me voltar a verificar que algo de belo e que vai beber a referências internamente ligadas à cultura, mais uma vez, nada diz à nossa população.

Pergunto-me muitas vezes: Porquê? Ao fim e ao cabo, hoje, todos, em princípio, poderão ter acessso a uma grande variedade de estimulos. Mas... parece que embora existam, não são aproveitados, apreciados, assimilados...