
Foto de Larz
Revolvo bem fundo
o areal
para assegurar todas as fases
do tempo;
ao abrir a mão
desprende-se uma infinidade de dias,
inumeráveis memórias,
dias que se apagaram
outros que fui incapaz de fazer meus,
memórias demasiado frágeis
outras que fui incapaz de agarrar,
dias perdidos,
memórias sem regresso.
E na mão
presos na pele
permanecem grãos contáveis
de dias que preservaram vida
de memórias que mantiveram chama
de instantes
expectantes
que a cegueira levante
e seja capaz de os tornar autênticos.
3 comentários:
Envelhece-se, quando se perde a memória e não quando se fica velho.
Elas vão e veêm, fazem-nos sentir vivos...
Muito bonito. É deste género de poesia que gosto, da que consigo entender. Hoje também fui à praia, mas não agarrei a areia. Ela agarrou-se a mim. talvez mais um dia memorável.
Belíssimo, como sempre...
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