domingo, 4 de outubro de 2009

LONGE DA TERRA QUEIMADA

Foto recolhida aqui


Longe da Terra Queimada é o título adoptado em Portugal para o último filme de Guillermo Arriaga, The Burning Plain. A estrutura narrativa faz-me lembrar Babel, do mesmo autor. O tempo fragmenta-se em constantes mudanças entre o presente e o passado, bem como vagueia pelos diferentes cenários que nos conduzem ao mesmo ponto. Uma mulher bela, evidenciando um seguro desempenho profissional, transmuta-se numa apaixonada sem regras e com um desequilíbrio psicológico que nos começa por atar, a leitura, num intrincado nó. As constantes interrupções de curtas narrativas que o realizador nos propõe, obrigam-nos a uma redobrada atenção para estabelecer as ligações, para afastar a poeira que apenas confunde, para acompanhar o desfiar da tal nodosidade que nos é oferecida com instantes de alguma tensão.

Uma mulher foge de si mesma. Porquê? Porque foge dum passado que recusou fazer seu? Porque se viu obrigada a responder por uma vida que não seria a sua? Porque se sentiu no direito de comandar o presente? Porque o amor poderá ser um caminho para a descoberta? Mas também para a vingança? Porque dois seres que se amam poderão abraçar a paixão com dois objectivos distintos?

Um homem, exterior a todo o passado, acaba por estabelecer as ligações da tal linha que se vai desatando. Um estranho que a recusa, como ninguém o terá feito. Um estranho que lhe traz um pedaço do passado. Um pedaço de carne demasiado vivo para ela conseguir ignorá-lo. Um convite que a faz reconsiderar e arriscar o regresso a parte da vida de que fugira.

O amor. Como tantas vezes o fio condutor de toda a trama. De diferentes cores. Com diversos aromas. O amor proibido que determina a inibição de outro amor, que cego às fortalezas morais da família, ultrapassa as fronteiras dos espaços onde arde. O amor que explode e a faz fugir para longe da terra queimada. Mas que não consegue queimar as memórias, até porque há uma vida que abunda por entre tantas cinzas do passado.

2 comentários:

elisabeth disse...

fez-me ter curiosidade de ver este filme.

...quem não sentiu já vontade de fugir de si mesmo... da terra queimada que não deixa de arder?

uma mulher, um homem, um ritmo...

e sim... Porque dois seres que se amam poderão abraçar a paixão com dois objectivos distintos?
... e qual a qualidade deste amor?
e ainda porque não? será que há um amor perfeitamente consensual?

quero ver...bjs

milhita disse...

Curiosamente, li hoje acerca deste tema.
Tambem em mim foi dsperta a curiosidade.
Obrigada pelas visitas e pelas palavras sentidas.