sábado, 24 de outubro de 2009

REDES DE OUTONO


Um bando de gaivotas
transportava pensamentos,
mortalhas da madrugada
consumidas no repouso.
Soprava um vento frio
num suspiro inexplicável,
descoberta de sentidos
aberta pelas palavras.
No mar coberto de névoa
voltavam barcas esquecidas,
remos de braços despidos
ansiosos por atracar.
Por uma janela aberta
entravam segredos despertos,
esconderijos roubados
aos artifícios do coração.
Nas asas do alvorecer
sobrevoei ilhas distantes,
calado roubei sonhos
às mãos dos poetas.
Da areia adormecida
fiz meu leito sem prazo
senti o cheiro do desejo
em cardumes de olhares.
O Outono colorira as redes
dulcificara lágrimas libertas
soltara sorrisos alados
ao assalto dos corações.

2 comentários:

AnaMar (pseudónimo) disse...

Lágrimas agri-doces soltas nas malhas dos corações.
Que bem fizeste em roubar os sonhos às mãos dos poetas :-)

Bj

elisabeth disse...

e eu vou roubar sonhos a este poeta voador ...