
Foto de Maurizio Vicedomini
Quando a noite se deita
repousam as histórias
no leito do dia.
Abro estradas
no silêncio da noite
para que em mim entrem
as tuas palavras;
pequenas estrelas
num céu em eclipse
que me despem a solidão
e ameigam o corpo.
Desaperto a dormência
nas mãos vazias
que enches com a minha pele.
Nas velas do meu sonho
sopras o ofegar da paixão,
merengues derretidos,
na indolência dos minutos,
vagando a brancura do linho
às portas da madrugada.
Esmagas-me a levitação
com o peso do desejo,
dissolvo-me em sudação
para te invadir hiatos;
desfaço-me em seiva
para te semear o sangue
e fecundar a manhã
com novos vocábulos.
8 comentários:
Apaixonantes. Viciantes. As palavras em poema. Vocábulos inventados em musica.
Beijo
Foste abraçado! Passa no meu blogue!
As palavras têm poder, pois têm...?
Um abraço
...benditas as palavras que desejamos e nos repassam a vontade
de as tocar sem nunca nunca nos sobrar a mágoa...A música tem sempre a cor das palavras que fecunda!
O desvelo das palavras.
o desejo transposto (passado ou vencido?) por palavras. mas ainda resta esperança...
alguém um dia disse que os silêncios podem ser palavras em repouso,
palavras que recuperam a vida, quando libertados assim, num poema apaixonante, multiplicados em sentidos, geradores de novos vocábulos...
gostei muito
Um poema que faz estremecer a alma de quem lê e, gosta de sentir a profundidade que emana das palavras. A beleza que cada palavra transmite, tem tanto de apaziguadora como de uma energia estonteante que nos leva por todos os caminhos do sentir sentido em todos os seus sentires.
Enviar um comentário