quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O DESEJO DAS PALAVRAS

Foto de Maurizio Vicedomini


Quando a noite se deita
repousam as histórias
no leito do dia.
Abro estradas
no silêncio da noite
para que em mim entrem
as tuas palavras;
pequenas estrelas
num céu em eclipse
que me despem a solidão
e ameigam o corpo.
Desaperto a dormência
nas mãos vazias
que enches com a minha pele.
Nas velas do meu sonho
sopras o ofegar da paixão,
merengues derretidos,
na indolência dos minutos,
vagando a brancura do linho
às portas da madrugada.
Esmagas-me a levitação
com o peso do desejo,
dissolvo-me em sudação
para te invadir hiatos;
desfaço-me em seiva
para te semear o sangue
e fecundar a manhã
com novos vocábulos.


8 comentários:

AnaMar (pseudónimo) disse...

Apaixonantes. Viciantes. As palavras em poema. Vocábulos inventados em musica.

Beijo

Charlotte disse...

Foste abraçado! Passa no meu blogue!

Tia_Cunhada disse...

As palavras têm poder, pois têm...?

Um abraço

Helena Branco disse...

...benditas as palavras que desejamos e nos repassam a vontade
de as tocar sem nunca nunca nos sobrar a mágoa...A música tem sempre a cor das palavras que fecunda!

Gi disse...

O desvelo das palavras.

sonja valentina disse...

o desejo transposto (passado ou vencido?) por palavras. mas ainda resta esperança...

elisabeth disse...

alguém um dia disse que os silêncios podem ser palavras em repouso,
palavras que recuperam a vida, quando libertados assim, num poema apaixonante, multiplicados em sentidos, geradores de novos vocábulos...

gostei muito

Luz disse...

Um poema que faz estremecer a alma de quem lê e, gosta de sentir a profundidade que emana das palavras. A beleza que cada palavra transmite, tem tanto de apaziguadora como de uma energia estonteante que nos leva por todos os caminhos do sentir sentido em todos os seus sentires.