quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ENREDO SEM HORIZONTE

Foto de Tibor A. Nemes


Projecto-me
para além daquele mar
onde o ziguezague dos dias
se escoa;
Imagem indefinida
entre a memória e o desejo;
A sombra arrastada
dum raio que separa dois olhares;
O dedo que escorre prazer
pelo sabor da pele;
A voz que se enoda
entre a vontade de dizer
e a opção de calar.
Vazam-se os corações
numa sementeira derradeira,
quando as mãos se estendem
num contido desespero
para ainda se tocarem.
A boca morde a pele
que um beijo
é incapaz de agarrar.
A recordação a cicatrizar
na corrida de pensamentos,
navegantes entre o sonho
e um amanhã.
Um rio que desagua
para além daquele mar;
onde me projecto
para te encontrar.


3 comentários:

AnaMar (pseudónimo) disse...

Ir para além de ...nós próprios.
Ficar com o sabor dum passado que não chegou a acontecer.

É tempo de dizer! É tempo do beijo agarrar a boca. E permanecer.

Bj
(E tempo de poesia! E de ser poema de alguém:-))

elisabeth disse...

que inquietação - entre o pensar e o sonhar, o real que se procura agarrar, deixando marcas, a sombra da memória e o amanhã incerto, que se projecta para além de ondas confusas do dia-a-dia,
mantendo-se com intensidade um desejo, exprimindo-se em versos inquietantes e belos...

Luz disse...

É tempo de ser para além do horizonte que se vislumbra... É tempo de ser para além da memória profunda... É tempo de ser para além do desejo, da vontade e do querer... É tempo de ser para além do pensar e do sonhar... É tempo de ser para além de ter a voz, as mãos, de sentir o beijo que se quer agarrar, a pele que se quer tocar... É tempo de ser sempre para além até olhar o céu, ver o mar sem naufragar e, aí encontrar..., ficar..., recordar...