segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VENTOS DE DESPEDIDA

Foto de Chiara


Quando o gume da incerteza
se crava na face da rocha
abre-se uma fenda de Inverno
na carne que não sangra.
Questionam-se nebulosas do olhar
chovendo lágrimas de dúvidas,
gotas turvas na tristeza
de saber irrecuperável a partida.
Desabam expressões sem rosto
sobre tantas páginas lidas,
pedaços de breu arrancados ao céu
na desilusão dos dedos sem carícias.
Seca a saliva por engolir
na boca lacrada pela noite,
sobra maresia no aroma do coração
que se despede do fogo por acender.


4 comentários:

AnaMar (pseudónimo) disse...

E as palavras não ditas nas fugas ensaiadas.
E a alegria breve numa manhã fria de Inverno repleta de Sol.
E as ausências que não se explicam. Mas que se sabem.
E os lábios selados para que o amor não saia. Em suspiros de encantos tamanhos.
Em palavras desordenadas.
Em mar revolto de uma despedida anunciada.
Num conhecimento que ficou a meio.
Na sensação de perda pela inocência ousada.
Um beijo.
E algum vento do Norte.

Tia_Cunhada disse...

Doeu...

Um beijo com sabor a esperança

© Piedade Araújo Sol disse...

despedidas são sempre tristes.

deixo um beij

Luz disse...

Quando somos tomados pela incerteza que sentimos e, esta já nos fere ainda sem a sabermos...
Dúvidas que pairam dentro de nós como o sangue que nos corre nas veias que adivinham a partida na inevitabilidade das lágrimas que também se despedem..., a dor fica deixando um sabor, por vezes, demasiado amargo..., ficou tanto ainda por ser e, não o foi...