
Foto de Simona Carli
Tenho a alma quieta
naquela planície onde o tempo
adia a decisão dos dias.
A vontade são folhas
arrancadas pela decisão do Outono,
abandonadas sob passos anónimos.
Adormeceu em segredos da lua
a espontaneidade dos sorrisos
liberta na cadência dos corações.
Guardo o sabor dos abraços
em lagares de ternura esquecida
pela vindima de prazeres desgarrados.
Sobram as palavras inadiáveis
que planto em areais sem horizonte
onde a Primavera me revelará
a inquietude das velas brancas
rasgando a placitude do tempo
com o desejo de aportar no mar
que ressuscitará a minha praia.
5 comentários:
...Um barco perdido no mar do meu descontentamento.
Palavras antigas, novo sentir.
Dunas de paixão avassaladora.
Inquietante o franzir do corpo, sob os lábios apressados.
A alma (in)quieta no olhar profundo como o mar.
Bj
Quanto desejo de que as coisas aconteçam... Linda a poesia e amo Pedro Abrunhosa...
Um beijo, CON
Bonita imagem essa da "alma quieta". E palavras que quase não se usam como "placitude". Trouxe um sabor antigo e repousante.
tão fatalista, saudoso, tanto mar, tão português...
Somos tempo! Tempo feito de históri(as) que queremos guardar, ou não.
Ressuscitar... quem não quer?!
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