quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PARA VOCÊS

Foto de Nicole Goggins


O tempo passa. Será que cresce? O tempo passou por vós, como por mim. Vocês crescem… eu não me sinto maior. O meu colo parece ser pequeno para o vosso tamanho. O tempo roubou-me esta sensação de ser porto onde procuraram abrigo. O tempo passa e com ele cresce a vossa confiança para navegarem em rota própria. Deixam de precisar-me como bússola para a vossa jornada. O tempo passa e com ele cresce o tempo que fazem exclusivamente vosso. Enquanto o tempo passa adequam-se os rumos de quem cresce, a quem se orgulha de descobrir novas formas de vos pertencer, de vos iluminar, de ser eterna raiz quando a água e o alimento vos faltam. O tempo passa e o lar cresce em dimensão física e espiritual, esgaçam-se laços, estreitam-se segredos. Na presença estruturam-se alicerces inquantificáveis. Dispensa-se a quantificação, como não se mede o volume do mar, o qual independentemente das marés não se extingue; como não se mesura o ar que inspiramos, inconscientemente, para viver; como não se avalia a distância que nos separa do fim pois é fatal a sua chegada. O tempo passa, vocês crescem. Um dia trará o momento do vosso voo partir por outros céus. Então, os regressos serão breves. O tempo passa, mas ainda não o suficiente para que esse instante fosse já. Esse instante foi precipitado. Precocemente antecipado. O tempo passa e sinto crescer o espaço do colo que foi vosso. O tempo passa e esse vazio cresce. Prematuramente…

4 comentários:

continuando assim... disse...

sempre o tempo...que nunca controlamos ...

gostei

AnaMar (pseudónimo) disse...

O vazio que será preenchido quando voltarmos a dar colo. Aos filhos do colo que demos.

E o mundo que trazem no olhar, será pousado no colo (que demos) já cansado, mas sempre colo.
Bj

Alexandra disse...

Eles crescem, nós crescemos, cada uma das gerações crescendo de forma diferente. Até que chegue a vez deles crescerem da mesma forma que nós.

O colo que demos nunca deixa de existir. Estará sempre lá para quando fôr necessário!

Tia_Cunhada disse...

Nada mais delicioso do que ter uma criança no colo...

Beijos