
Foto de Vernon Trent
Estendeste-me um manto de palavras
que colhi como se fossem pétalas
duma flor a quem queria conhecer o cheiro.
Eram tuas, senti-as minhas.
Não as conhecia, sabia-lhes o sabor,
nunca as lera, conhecia-lhes as letras.
Caminhei entre significados,
descobri intenções.
De algumas fiz pele
de outras, véu de aconchego.
Deitei-me nelas e afaguei-me…
Bebia-as e traguei-lhes o calor,
olhei-as e extrai-lhes a cor,
sussurrei-as e copiei-lhes o som…
… cheguei à tua boca.
… nos teus lábios depositei
a doença
que as tuas palavras
me curam.
6 comentários:
O último verso fez-me lembrar um filme do qual não recordo o nome. Um negro gigante, com alma de criança, que cura as doenças com o bafo do seu corpo, que emana da sua boca. Um filme de uma enorme ternura. Talvez como este poema. Talvez não.
Um sentido tão bonito!
Tenho uma flor também , de pedra, que aquece as minhas mãos salgadas e tão quentes de vida.
Estas palavras que li, são sopros de uma alma bonita.
Bom fim de semana
Lindo...
Muito lindo. As palavras deveriam, ser, sempre, recebidas tamanha ternura.
...sempre as palavras tocantes ruborizadas a revelar-se o sentimento o poeta que as afaga...
Direi sempre pouco... deixo-lhe a sombra breve da minha passagem por este vale de emoções raras que muitas vezes ultrapassam o dizer humano...Creia-me ABRAÇO
Muito, muito intens! Também eu faço destes versos um bocado da minha pele.
Enviar um comentário