
Foto de Angela Vicedomini
O poeta olhou as mãos
reflexos dum espelho
onde a vida se escondia.
Embaciavam-se as certezas
em aguaceiros de dúvidas,
intermitência duma luz
esquecida da sua firmeza.
Esboçava-se em tracejado
a linha, antes, contínua.
Desfocagem de imagens
sobrepostas à nitidez do rumo.
O poeta olhou as mãos
e nublou-se-lhe a visão.
Guardou-as.
… até que a monção
sopre num novo olhar.
5 comentários:
Olá!
Este é dos mais difíceis... Guardar o reflexo da vida. Um atrevimento, uma ousadia. Talvez.
sinais, reflexos da vida nas mãos, que nas suas linhas guardam segredos que a melhor vidente não nos consegue desvendar...
olhar para trás e perceber as linhas tortas do destino, saber guardar e apreciar o que, na altura, não parece fazer sentido,
aceitar e olhar para frente...
traçar novos rumos, com confiança, apesar das linhas tortas, que todas elas fazem parte destas mãos...
Que belo!
...uma monçao...que vai lavar a alma e clarear a visão...
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As mãos dos poetas contêm olhares que nos fazem ver para lá do espelho.
Há tanto tempo que aqui não vinha.
tanta leitura para por em dia :-)
Bj de saudade
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