segunda-feira, 20 de abril de 2009

GRAN TORINO


A vida é uma sucessão de histórias com que nos vamos defrontando, outras que vamos construindo, outras que vamos procurando e outras, ainda, a que não conseguimos fugir. Uma história poderá ser o cruzamento duma série de vidas que se cruzam, que se afastam ou cujos percursos são simplesmente paralelos. Há histórias que marcam uma vida. Como se se tratassem dum pecado inconfessável. Que atormentam a alma enquanto os dias tiverem princípio, meio e fim. Há rancores que se guardam e se projectam em situações e pessoas que nada têm a ver com as razões que os provocaram. Que poderão, mesmo, terem sido vitimas dessas mesmas razões. Há forças indomáveis que nos fazem acreditar e defender o que é nosso, o que construímos, pelo que lutámos. E ao lado de tudo isso poderão estar aqueles a quem os laços familiares nos unem. Mas não quererá, necessariamente, dizer que esses laços sejam mais fortes do que outros que se estabelecem com entes a quem julgámos impossível sequer dizer ‘bom-dia’. Mas é a possibilidade de nos revermos neles ou de, ainda que inexplicavelmente, eles entrarem em nós, que nos faz acreditar, aceitar e lutar por essas relações. Nem sempre o pai terá de ser o genético. Nem sempre o filho terá de ser o gerado. Pois essa relação poderá vir da necessidade, da disponibilidade, da reciprocidade. E há histórias em que a vida decide não disponibilizar tempo para o filho e, mais tarde, o pagamento é, mesmo que involuntário, na ‘mesma moeda’. E nessa mesma história, a vida pode descobrir o acto de educar noutra relação, noutra carência. E quando a vida começa a revelar o fim, há que ceder. Há que procurar a paz. Há que reorganizar todas as estrelas. Há que herdar quem o merece, quem assegure a continuidade, com o bem que mais prezámos, com a própria vida.

3 comentários:

Marta disse...

Reorganizar estrelas não é fácil. às vezes.
Mas com esta música, tudo é posível.
Aliás, como neste magnífico filme.
A rever sempre. Muitas vezes.

Maria disse...

Mi vida no tiene próposito, ni dirección, ni finalidad, ni significado, y a pesar de todo soy feliz. No lo puedo comprender. ¿Que estaré haciendo bien?....

Te sigo, porque aunque el idioma no es el mismo, tus escritos transmiten en el universal, el de los sentimientos.....

Un abrazo.

mariab disse...

gosto da forma como falas deste filme. Clint Eastwood é um dos meus realizadores favoritos porque nos fala de pessoas que podem ser reais, pessoas um tanto perdidas que, através desses relacionamentos improváveis, encontram um sentido para a vida. e a paz. beijos