
Foto de Justin Hofman
De segredo em segredo
levas-me pela mão
até ao cabo da memória,
onde os pensamentos
se esqueceram de lembrar.
Ali, naquele extremo
onde a terra desistiu
de invadir o mar,
e as tuas recordações
são vagas
rebentando na areia
que abres ao meu olhar.
Nem sempre a vida
tem a persistência do oceano,
e as ondas cansam-se
de rebentar na praia
desistente de olhar o mar.
É difícil voltar ao pélago
em demanda duma ilha
perdida na imensidão
sob um céu de nuvens.
Paro!
… entre o caminho errante
e a descoberta dos rumos.
Olho-te!
… nesse espelho de água
estilhaçado no voo das gaivotas.
Mergulho!
… num abraço de maresia
suplicando que o transborde.
Sou istmo deste querer
que os corpos ainda separam
mas os corações desejam.
3 comentários:
Lindo, lindo, mais um poema a saber a maresia, segredos, recordações, saudades do
cabo da memória...
cabo da boa esperança...
não, a vida nem sempre tem a força persistente do oceano, mas não acredito que a praia desiste de olhar o mar...
sim, mergulha num abraço de maresia, no desejo dos corações, que aponta o horizonte ao caminho sem rumo...
e olha o mar, o mar...
:) Está tudo "MUITO BEM!" ;)
deixo meu trilho.
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