quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NO PARAPEITO DO TEU OLHAR

Foto de dusan

No teu olhar abres uma janela por onde me pedes para espreitar o mar. Abre-se em toda a sua imensidão numa onda transbordante de querer, saída do teu peito. Olho-o e sinto-lhe as tuas pulsações, em cada vaga que se desenha sob o céu de tempestade que arrasta fogo de emoções, pelas avenidas onde as estrelas se intimidam em brilhar. O horizonte desenha-se à distância dum sonho. Não sei se o agarro pela latitude do oceano, se pela longitude do teu olhar. Funde-se na minha pele o abraço indizível em que a ternura dos corpos adocica o sal espalhado pela espuma no areal das margens. Corre-me nas mãos o curso das marés onde fundeias teus dedos ao largo da paixão. Suspiro. Espreito o amanhã. E no parapeito do teu olhar jaz intacta a tentação de nos deixarmos abraçar pelo escuro iluminado de águas por navegar.


4 comentários:

elisabeth disse...

sim, o segredo não é olhar PARA o outro - não só -
é olhar COM o outro,
na mesma direcção...

à procura do horizonte, e por mares a navegar em conjunto, sentindo a emoção e ternura das pulsações das ondas partilhadas, olhar o mar, sempre o mar...

belo texto, bela imagem...

Alexandra disse...

Fecha-se uma porta... abre-se uma janela. Neste caso, duas... com alimento entre elas.

Lindas as cores traduzidas em imagem e palavras!

susana disse...

Muita água metes tu também!

AnaMar (pseudónimo) disse...

As marés que fazem oscilar os corações, tocam as mãos enlaçadas pelas recordações do que está para acontecer.
Janelas de almas t(r)ocadas, beijos molhados, abraço iluminado.
E um barco de resgate de emoções.
Fecho a janela.
O farol ilumina um barco à deriva.
parto sem (te) avisar.
Bj