
Foto de Bror Johansson
Naquela rua há uma esquina
onde a viagem termina
e o sonho começa.
Adivinham-se olhares
nos passos por percorrer,
guardam-se palavras
dispensadas de dizer.
Quando te pressinto
sob o contra-luz da tarde,
no rio, os navios
anunciam o desejo
de ancorar no cais.
Traduzes num sorriso
o desejo dum abraço
e o caminho encurta-se
nessa rua sem fundo.
No horizonte dum beijo,
os corpos dominam
os olhares que se fecham
na moldura enlaçada
pelo murmúrio do reencontro.
Entrega-se a tarde
no princípio duma frase
prolongada no pôr-do-sol
onde as palavras se repetem
no eco das mãos e dos lábios.
...
Quando a noite adormece
a cidade devolve-nos
aos ruídos do silêncio
em que o desejo cresce.
E ao dobrares a esquina
dessa rua terminada,
o sonho adia-se
na sombra da saudade.
5 comentários:
O fim é tristinho...
"Entrega-se a tarde
no princípio duma frase"
Belíssima conjugação da imagem e de versos (como estes). Uma toada de fado pela calçada.
Onde fica essa rua...?
Um beijo
apenas me ocorre dizer uma palavra: fabuloso!
um abraço!
"o sonho adia-se
na sombra da saudade..."
tristeza envolvente, envolvida num fado desenhado por uma estreita ruela, ligeiramente curvada e horizonte luminoso que projecta a sombra, mas permite vislumbrar algo mais...
mais um fado, pleno de ternura
bonito!
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