
Despojas um cansaço desconhecido de teu corpo, sobre a areia anónima, adormecida à espera do mar... como se a areia fosse o teu solo, o chão do palco que pisaste e onde dançaste até ao esgotamento, o húmus das danças que o teu corpo quis viver enquanto as luzes não se apagaram. Repousas na superfície granulada sem nome, nem endereço… dormes ou sonhas?... pereces ou aguardas uma ressurreição impossível?... os aplausos terminaram e a maquilhagem já se desfez… será que uma nova vaga te acordará? Perpetuas o teu descanso inanimado… à espera… aguardando… quero dar-te a minha mão, mas… não te alcanço… a distância estilhaça-se e não me deixa te alcançar… não consigo tocar-te… não posso… és demasiado frágil… estás excessivamente débil… e eu impotente para te erguer… para te levar… para te acordar desse descanso onde queres ficar. Fico… à espera… do mar... para te trazer até mim.
3 comentários:
LIndo o teu texto...e a imagem a condizer.
Um jinho no teu coração
à superfície do que é sem nome... um bonito verso, paços. um beijo de até breve.
"tantas vezes um cansaço desconhecido..."
tantas.
gostei.
Marta
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