quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CANSAÇO...

Foto © Marta Laura  

Despojas um cansaço desconhecido de teu corpo, sobre a areia anónima, adormecida à espera do mar... como se a areia fosse o teu solo, o chão do palco que pisaste e onde dançaste até ao esgotamento, o húmus das danças que o teu corpo quis viver enquanto as luzes não se apagaram. Repousas na superfície granulada sem nome, nem endereço… dormes ou sonhas?... pereces ou aguardas uma ressurreição impossível?... os aplausos terminaram e a maquilhagem já se desfez… será que uma nova vaga te acordará? Perpetuas o teu descanso inanimado… à espera… aguardando… quero dar-te a minha mão, mas… não te alcanço… a distância estilhaça-se e não me deixa te alcançar… não consigo tocar-te… não posso… és demasiado frágil… estás excessivamente débil… e eu impotente para te erguer… para te levar… para te acordar desse descanso onde queres ficar. Fico… à espera… do mar... para te trazer até mim.


3 comentários:

Maria Clarinda disse...

LIndo o teu texto...e a imagem a condizer.
Um jinho no teu coração

alice disse...

à superfície do que é sem nome... um bonito verso, paços. um beijo de até breve.

Anónimo disse...

"tantas vezes um cansaço desconhecido..."
tantas.
gostei.
Marta