segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"A MALTA HABITUA-SE"...

© Raymó


Quando se nasce cada sinal é uma aprendizagem. Bebe-se cada instrução com a avidez de quem precisa de assimilar a vida. Cada necessidade, cada descoberta, cada regra é um hábito que se adquire para percorrer as ruas da vida. Crescemos e multiplicam-se os cruzamentos que tornamos hábitos. “A malta habitua-se” ao que se quer, ao que se tem de querer e até ao que se preferia não ter. Luta-se por muito, recebe-se muito, conquista-se muito… mas a tudo nos habituamos. Até às perdas… até quando nos roubam quimeras, bens ou mesmo alguns dos que mais amamos, “a malta habitua-se”. Seja com dor, seja com a alegria “a malta habitua-se” ao caminho que a vida nos traça. Habituamo-nos à vida. E tornamo-nos tal animal de hábitos que nos esquecemos de parar, de olhar e de desejar. Esquecemo-nos de viver. Pode ser tão grave que nos esqueçamos de sonhar! “A malta habitua-se” a prescindir de sonhar. Desabituamo-nos da conjugação do sonhar, do lutar, do fazer por conseguir. E deixamos de crescer. Habituamo-nos a sobreviver. Quantas vezes acordamos já demasiado tarde? Mas… não faz mal… “a malta habitua-se”…


5 comentários:

Zaclis Veiga disse...

Tão verdadeiro tudo isso. É necessário lembrar a todo tempo e incansavelmente dos sonhos e de reviver os planos.

elisabeth disse...

sim, "não faz mal", habituamo-nos a tudo, às regras sem sentido, às palavras sem convicção, aos silêncios sem compreensão, aos ganhos e às perdas, ao dia-a-dia de corridas, esperando que qualquer dia tenhamos tempo para o essencial,
se entretanto não o perdermos no meio de tanta corrida, se de todo soubermos o que é ...

se entretanto não perdemos a força, nos habituarmos demasiado ao secundário, ao banal, que não nos faz crescer, que nos deixa apenas sobreviver e por vezes até morrer...

se entretanto não perdermos a capacidade de sonhar e de, no meio do dia-a-dia, descobrir o especial, que também insiste em nos surpreender...

se entretanto não nos esquecermos de querer que cada dia seja especial e o pintarmos com cores, sons e sabores...

e se soubermos habituar-nos, alegremente, ao especial de cada onda do mar, de cada brisa marina, de cada raio solar que persiste num céu azul demasiado frio, de cada folha caída no nosso caminho, de cada gaivota que se junta às outras numa dança a perder-se no horizonte, de cada sorriso sincero, de cada carinho genuíno que recebemos e espontaneamente decidimos oferecer, de cada palavra inventada, sentida e partilhada com tantos outros que procuram um verso especial...

Charlotte disse...

Sim...realmente somos de hábitos.
Mas temos sempre o nosso subconsciente que nos diz para não parar de sonhar e...acreditar!

sonja valentina disse...

nunca é demasiado tarde. nunca. para nada, muito menos para conseguir o que sonhamos, sem deixar de lutar. a tudo nos habituamos sim. trocam-se velhos hábitos por novos hábitos e assim vamos seguindo vivendo um dia de cada vez, aproveitando ao máximo as coisas únicas que cada dia nos dá.
é isso mesmo... "a malta habitua-se" e adapta-se e aprende a seguir em frente.

VERA DE VILHENA disse...

Ai, e eu que acabo de ler Thoreau e "Walden ou a vida nos bosques"...
E que bem que ele ilustra esta ideia, em certas passagens...! Que bem que ele nos sacode os colarinhos, a tentar despertar-nos! A tentar que nos rebelemos. Está muito presente, esta reflexão. O conformismo é tramado, diabólico, eu diria.