
A noite entranha-se na cama onde os lençóis se banham na humidade fria exterior às paredes. Estranho este vazio que toma conta do meu tempo, que inunda o meu espaço, que me amordaça as emoções, que me aprisiona o raciocínio. Tento libertar-me destes limos que se agarram à inércia de não viver. Tento respirar sobre estes cobertores dum caminho que não quero percorrer. Não me encontro no presente, substituto dum passado feito para esquecer e demasiado longínquo de outro que é preferível não lembrar por ser irrecuperável. É urgente abrir a porta do amanhã e acreditar que há uma mão à espera, uns braços ansiosos de mim, um olhar ofegante, uma vida despida pedindo que a vista com o meu ser. É urgente transpor esta fronteira do sono, entrar no sonho e correr para o futuro. Talvez lá… se celebre o Natal!